No ônibus aprecio olhar pela janela.
O panorama são sempre pessoas, casas, estabelecimentos, ruas e vielas.
Mas o vento assanha meus cabelos,
Então fecho a janela.
A imagem já não é tão nítida,
Tudo lá fora embaça.
Tudo menos teu sorriso que vejo refletido
Causando-me náusea.

Nem todos os dias te vejo
E em mim nem sempre te anuncias,
Pois o desejo sem tua imagem definha.
Tempo perdido... entulhos sem serventia.
Então os coloco ao vento fresco
A secar junto as minhas roupas no fim de semana
Suspensas no varal de arame farpado
Que são todos os meus devaneios.
Mas nada disso tem êxito quando te vejo.

Um dia da cadeira alta e solitária abdiquei
No vidro já não te revelavas,
Mas olhando pra frente
Vi teus olhos que me procuravam.
(Me procuravam e me achavam)
E do jeito que olhavas,
Solícita os meus te dei.

Tenho os meus desenganos
Que a vida não me censura.
Ao te olhar me vejo por dentro
A revelar toda essa loucura.

Não me olhes mais e eu tentarei não te ver
És jovem e nunca irás entender
Que beijarei teus lábios,  tuas costas e partirei.
O que pode ser insuficiente para ti,
Sem dúvida pra mim não há de ser.

Meu Deus, afasta de mim estes olhos jovens
Que de tão cândidos devem permanecer.
E todos os meus desejos mantenha-os castros
Pois não há nada mais que posso oferecer.

Um comentário:

  1. Meu amor. O que dizer de um poema tão lindo e tão profundo? Flanei contigo, a teu lado neste mesmo ônibus!

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