Isola-se isótopo  
Ao bulhar quer que comece. 
Molha irracional eiva, 
Teias encobre treze, 
Gargalhando o que tem perto. 
Tenta cem naus  que rompa
a Corda mixórdia gôndola.


Pousa em mim um elemento
Que no arrebol azafamava
Olho-o incompleto e abortífero
O seu ruído incomoda,
Mas lhe digo que passa.

Seus olhos escarlate me fitam
Em inanimadas imagens enquanto durmo
E ao acordar lhe ponho de castigo
Digo que sei que existe
Mas o cilício não cabe no meu mundo.

Ele balança seus cabelos negros
E o cheiro toma todo o lugar
Chega a arrepiar meus pelos
Digo-lhe: isso não vai adiantar.

Novamente ele quer falar.
Abro a porta e digo que aqui não é o lugar
E que só poderá me incomodar enquanto durmo,
Pois desperta vigiarei para ele não entrar.

Ele toca meu rosto e barafustado tenta me beijar
Cerro meus lábios, no pavor de o sentir chegar...
Num átimo ele se põe prostrado
E entre lágrimas balbucia melodioso para ficar.
Digo que não posso que não o acho crível
E que me deixe em paz.

... E assim um orvalho de pena saltam meus olhos
E antes que eu pudesse deter lhe molham os lábios
Que ele o põe a chuchar...
Seus olhos agora de um marrom difuso
Acompanham seu sorriso translúcido.
“Biltre!Biltre!Biltre!...” o chamo sem parar...

Ele se vai vitorioso, pois sabe que voltará.

Fímbria na fronte pequenas chuvas negras
Que meus dedos ousaram tocar
Fecho os olhos para lembrar dos dela
Marrons tons, quase laranjas, como Topázios Imperiais.

Flanei quanto pude flanar
A baixa grama fincava-me o rosto
Quando pousava devagar
Colada sua face sobre a parede fria
Que não ousei prensar.

Penso nas minhas orelhas
Que lhe pareciam especiais 
Da língua quente a rodopiar nelas
À medida que ofegava mais.

Lembro-me do corpo de azeviche sinais
E os contidos gemidos que da fauce são sai
De todas as agruras que real lhe faz
Longe dos mitos dos seus ancestrais.




"Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. […] Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espetáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite. Estas páginas, em que registro com uma clareza que dura para elas, agora mesmo as reli e me interrogo. Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando sinto? Que coisa morro quando sou?" L.doD.


O que fomos nós na penumbra do quarto, de porta aberta,
Com janelas por sobre nossas cabeças
Com vista a lugar nenhum?
O que dividíamos no espaço estreito
Na ausência de sons, apenas ruídos?
Quem foste tu em mim, na proximidade de nossos corpos
A me por consciência física e aguçar-me os sentidos?
O que fui para ti em despudores, em palavras, gestos, cores...
E no meu contato próximo aos teus  tímpanos?
O faremos de nós?
O que de nós será feito?
O feito está em nós.
Entre nós está feito.
Mas e o porvir?
Onde isso limitará a nós?
Até onde expandiremos nós?
Que intervalo há entre mim e ti e o tudo?
Não sei...não sei...não sei...
O que sabes tu, para que me digas?
Serva sou das minhas interrogações de nulas certezas.

No ônibus aprecio olhar pela janela.
O panorama são sempre pessoas, casas, estabelecimentos, ruas e vielas.
Mas o vento assanha meus cabelos,
Então fecho a janela.
A imagem já não é tão nítida,
Tudo lá fora embaça.
Tudo menos teu sorriso que vejo refletido
Causando-me náusea.

Nem todos os dias te vejo
E em mim nem sempre te anuncias,
Pois o desejo sem tua imagem definha.
Tempo perdido... entulhos sem serventia.
Então os coloco ao vento fresco
A secar junto as minhas roupas no fim de semana
Suspensas no varal de arame farpado
Que são todos os meus devaneios.
Mas nada disso tem êxito quando te vejo.

Um dia da cadeira alta e solitária abdiquei
No vidro já não te revelavas,
Mas olhando pra frente
Vi teus olhos que me procuravam.
(Me procuravam e me achavam)
E do jeito que olhavas,
Solícita os meus te dei.

Tenho os meus desenganos
Que a vida não me censura.
Ao te olhar me vejo por dentro
A revelar toda essa loucura.

Não me olhes mais e eu tentarei não te ver
És jovem e nunca irás entender
Que beijarei teus lábios,  tuas costas e partirei.
O que pode ser insuficiente para ti,
Sem dúvida pra mim não há de ser.

Meu Deus, afasta de mim estes olhos jovens
Que de tão cândidos devem permanecer.
E todos os meus desejos mantenha-os castos
Pois não há nada mais que posso oferecer.



Vejo a praia que és tu
Em ondas a tatear, me buscar e recuar.
Vejo a lua que também és tu
Que de cheia começa a minguar,
E que já não inspira o violão;
Nem os trovadores;
Nem as senhoras, nem os senhores;
Nem mesmo os lobos;
Nem as sereias;
Nem o mar.

Vejo a relva que foste tu
A esverdear e secar.
O sol que também foste tu
Que vivia a me acalentar,
E que agora queima a cera que liga as penas que roubei dos pássaros para te alcançar.

Vejo-me triste a definhar
Tal como as folhas de outono
Que caem para o inverno chegar.
Vejo-me como um fósforo riscado;
Um cigarro frio;
Um marinheiro sem navio;
A fé que não sabe acreditar.

Mas o que és e o que foste pouco importa
O que serás há de ser meta.
As lembranças lançarei aos pombos para alimentá-los
E o meu amor asfixiado ficará.
Tudo para te transformar na memória inútil
De um amor que não soube durar.


Você colheu uma rosa louçã
E eu estava a dois passos do teu peito,
Dez graus abaixo da volúpia,
E a um centímetro de me perder.

Tu que despertas essa chama
E que me arrepia os pelos,
Que coloca insone e inquieto o leito
E que nunca me toca
-a não ser em devaneios-
Que untam-me sempre de corpo inteiro.

A rosa em tuas mãos se torna ordinária
Tudo que é belo diante de ti não te embuça
Pois ante teu cheiro qualquer rosa sânie
É a ti que todos buscam...

Queria ser a rosa que colhes
E em tuas narinas deixar meu cheiro
Em tua memória o meu encanto
E dos meus espinhos te furar os dedos.

És a rosa que não se colhe,
Mesmo assim te quero pra mim.
Para que minha vida não seja mais aziaga
Para que possas colorir meu jardim.




Tens a façanha de produzir sorrisos
E de teu corpo maduro a substância de desejos contidos
Tuas palavras são como indícios de um ser narciso 
E teus cabelos como de Medusa a lançar feitiços.

Teu cheiro passa e fica 
Segredados em minha memória alada
Tens por vezes olhos que de tão tristes
Impulsionam-me as lágrimas.

Tinha costume de olhar-te meses a fio
Sem ousar proferir as palavras
E quando fiz conheci o vazio
Que só tua presença sarava.

Viciei, me cortei e até sofri
E hoje por mais que queira livrar-me
A vida me impõe a ti.

Seja qual for a magia que exerces 
Livra-me, poupa-me sentir.
Que não és para ninguém e tão pouco para mim
Então te exorto desprega-te de mim.

Nada que delimitem no tempo ou situem no espaço
Tem a força dos teus passos largos,
As flores colhidas em teu regaço
E som da tua voz naquele momento.

Teu corpo pinta o que é belo
Tua boca profana o incurável
E alto infringido pecado
Que fugiu de ti sem a força do acaso
Mas fruto de uma decisão que não conseguiste manter.

E assim me puseste longe 
E fizeste por onde meu amor abdicar
E agora sofres teu feito
Que os anos não fizeram aplacar.

Pegas meu desejo ainda inflamado
Exigindo respostas de imediato
E prometendo a mim dedicar...
E a ti olho com olhos laços
Sem saber o que falar.

O meu ego dilacerado com as lembranças do passado
Pensam no mal já amenizado 
Nas lágrimas esgotadas,
Nas noites mal sonhadas
E nas sombras que tive que me lançar...

Era pra(z)ser sem fim
Meu amor guardado, mudo
Inerte, mas não nulo
Não sabe o que te ofertar.
Minha cara, talvez,
e somente talvez,
Te queira para sonho e não para te amar.




Lembro da última vez que ti tive em meus braços e calei toda e qualquer palavra de carinho. E todo o meu estado de deleitação foram por ti percebidos, pelos sussurros e gemidos, que naquele momento eram permitidos. Fora todo o estado de deleitação, todos os gemidos, sussurros e as respirações ofegantes, própria dos amantes, calei-me como nunca pensei calar e naquela noite o meu amar você foi afônico.  (fragmentos de um passado)



Não sei o que é feito de mim na tua presença
Sinto todo um quê que fere, arde e flama.
Tal como uma febre a bater o queixo
Que sente falta e que dói até ser branda.

Se quero que de mim desapareças
Qual a razão que ponho aqui a minha queixa?
Não é para me fazer infeliz e tão pouco a ti.
Mas meu peito te reclama
E sinto saudades de ti. (...)



Da rima fizeste o verso,
Sorrindo falaste da dor,
Nos teus olhos havia glória,
Mas também havia clamor.

Como você tentarei rimar
E aqui um verso deixar.
Mas o riso não verás
Pois a dor prevalecerá.

Poema não só é feito de alegrias,
Mas se fosse,
Nunca existiriam essas linhas,
Pois o riso em mim não há
Porém a dor em mim está.

Rima, verso e dor
Tudo isso lhe darei
Te darei rima, te darei verso
Te mostrarei a minha dor.
Porém o riso não!
Porque ele se acabou.
                                                       

Sinto que não sei o que sinto
Quando repouso os olhos em ti.
Apenas penso que me é agradável ver-te
Como me é agradável ver o inverno, a noite e o luar.
Pois quando vejo o inverso, a noite e o luar
Só há em meu peito o encantamento de ficá-los a olhar.

Entretanto se juntar a poesia, a prosa e a emoção.
Dar-se tudo em uma canção bela, difusa e de tão profunda
Inunda o meu coração.
Do amor que me dás e do que dou a ti respectivamente
São como acordes sobre uma pauta metricamente harmoniosa.
Resultando a canção tão gloriosa
Que me é vista como amorosa.
Que não sei sentir
E penso que não sei explicar.



                                                      - A Múcia Cristine (Muc)


Eu cavaleiro errante e louco
Fiz da amada 
em minha alma 
o gozo
E lhe chamei de Dulcinéia.


De olhos azeviche 
e seios conchas livres
E da boca o clã de minha boca...


Ah, quem dera foste barroca
Em comunhão a minha voz rouca e apouca.
Que esperava um dia "cer-v-antes" a tua mão frágil e boba.


Miguel M. Verlaine - mais um em mim


Sinto calafrios que provém de uma saudade obesa
Que pesa em mim os sonhos puros.
E toda vez que sinto frio,
Recorro a lençóis vazios
A imaginar teus braços,
A simular teus beijos.

Procuro em masturbações o desejo do meu sexo solitário,
O motivo que arde em fogo as vestes,
A razão da qual libero minhas mãos que se tocam, se beijam
E num vai-e-vem procuram satisfazer meus desejos mais secretos.

Labutas ações de um amor provecto,
Que treme, arrepia, grita e flama.

E mais uma vez vejo tua matéria que me excita,
Que me afagam em pensamentos intensos de volúpia,
Que clamam e me lembram ósculos
Que outrora me sugaram sucessivos êxtases.

E se é para aliviar tanto tesão,
Libertarei infinitas vezes minhas mãos,
E te trarei em cada toque,
Em cada orgasmo vão.



Aqui está a foto dedicada
A figura nela fixada não se mexe.
Eis um corpo inerte,
Que só uma lembrança lhe fará ressuscitar.




...Houve um tempo
Um lugar não tão longe daqui mas incógnito.
Onde tudo era fora do normal,
Porém nada de anormal era feito.
Esse era o local de todos os anjos,
De todos os santos,
De todos os atos.

(Eram anjos inocentes
No tempo de grandes decisões)

E não havia neste lugar
Quem não quisesse amar.
Não havia fama,
No peito não existia gana,
Apenas a inocência abria os olhos para a madrugada.

Era o meu tempo,
As páginas dos meus dias,
O abrir dos meus olhos,
O  tempo era a alegria...

Porém existiu um dia de grandes trevas,
Raios e trovões cobriram minhas terras,
Minha gente, meus sonhos
E as decisões de minhas mãos limpas.

Eram tempos tristes,
Um eterno cortar de asas.
(talvez castigo dos deuses, quem irá saber?)
Esse era o tempo dos meus dias
INOCÊNCIA E IMAGINAÇÃO.


O Ser Humano é algo nostálgico por natureza, pois viveu o ontem e carregou sobre si as lembranças. Ele é agoniado, sequioso e sujeito às peripécias de uma vida paradoxal.